Peste suína, bem-estar animal, doenças emergentes e os impactos no mercado foram os principais assuntos abordados

As projeções e o futuro da suinocultura foi o foco do Seminário Técnico “Tendência na cadeia produtiva de suínos”. O evento ocorreu no Auditório da Sede Administrativa do Sicredi Região dos Vales nesta sexta-feira, dia 7 de junho, em Encantado, durante a Suinofest.

O objetivo do seminário foi debater assuntos importantes e atuais da cadeia produtiva. Cinco palestrantes abordaram questões atuais que impactam o setor.

O presidente executivo da Dália Alimentos, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, em nome dos organizadores agradeceu as entidades parceiras na realização do evento e a dedicação em prol da cadeia produtiva. “O seminário, cada vez que acontece, visa debater assuntos importantes da cadeia. Um dos grandes patrimônios da suinocultura e avicultura em nosso país é a saúde animal”, salientou.

O presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Rogério Kerber, foi o mediador do seminário. Segundo ele, a Suinofest destaca e promove a carne suína.

O seminário foi uma realização do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (SIPS), Conselho Técnico Operacional da Suinocultura do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), Emater/RS-Ascar, Famurs, Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves) e Associação Gaúcha de Municípios (AGM). O evento teve a parceria da Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), Prefeitura Municipal, Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Associação dos Médicos Veterinários do Vale do Taquari, Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural e Superintendência Federal de Agricultura no Rio Grande do Sul.

Dados da Suinocultura

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e ex-ministro da Agricultura, Francisco Sérgio Turra apresentou dados do cenário mundial. “Nos próximos anos de tudo o que o mundo precisar de produção de alimentos 41% deve sair do Brasil. Somos o país que tem o maior superávit de agricultura do mundo”, salientou.
Segundo ele, conforme dados da ABPA, o brasileiro consome em média 14 kg de carne suína por ano. O Brasil é o 4° maior produtor mundial de suínos com uma produção de 3,63 milhões de toneladas. O mercado interno consome 84% dessa produção e 16% são exportações. A exportação é de 640 mil toneladas, sendo o 4° maior exportador mundial.

O Rio Grande do Sul produz 19,53% ficando atrás de Santa Catarina (28,38%) e do Paraná (21,01%). O estado gaúcho exporta cerca de 25% da produção.

No mês de maio as vendas (exportação) subiram 41%, chegando a 143 mil toneladas. O país que mais comprou foi a China.

Ele ainda revelou que os chineses já eliminaram mais de 25% do plantel suíno pela ocorrência de Peste Suína Africana. “Foram enterradas no mínimo 12 milhões de toneladas, com perspectiva de chegar a 16 milhões”, disse. Turra recebeu as informações na manhã desta sexta-feira, de um diretor da ABPA que está na China.

Bem-estar animal (BEA)

As médicas veterinárias da Aurora Alimentos, Vanessa Souza Basquerote e Maiquieli Cristina Deon, fizeram considerações sobre a visão da indústria. Elas abordaram, nesse contexto, conceitos e percepções do consumidor referente ao bem-estar animal.

“O bem-estar animal é uma questão complexa com dimensões científicas, éticas, econômicas, culturais e políticas. É importante se preocupar com isso, primeiro por respeito aos animais e também por ética”, destaca Vanessa. Segundo ela, a qualidade da carne está relacionada ao bem-estar animal, seja em relação à existência ou não do estresse antes do abate ou na criação.

Atualmente há no Brasil 150 mil produtores integrados, destes, 130 mil são pequenos produtores. “Hoje o bem-estar animal já está inserido na produção. Essa preocupação tem vários desafios em todos os processos”, complementa Maiquieli. A veterinária acrescenta que o desafio é ter uma alta produtividade com bem-estar animal, mantendo a sustentabilidade da produção.

IN 60

Na sequência, a médica veterinária, doutora e pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Jalusa Deon Kich, abordou como fazer o controle da salmonella na cadeia produtiva de suínos para atender a Instrução Normativa (IN) 60 de dezembro de 2018. Segundo ela, foi dado para as indústrias seis meses para operar nessa nova normativa. Jalusa ressaltou que todas as indústrias que exportam já tinham esse controle.

“É bem importante esse marco. Quem tem controle de qualidade não terá dificuldades de se adaptar a essa norma”, destacou. Sobre o controle da Salmonela a infecção ocorre de várias formas, sendo fundamental o cuidado em todo o processo, conforme a médica pesquisadora.

Doenças emergentes

Finalizando o evento, o professor da Ufrgs e Coordenador do Comitê Estadual de Suinocultura, David Barcellos, falou sobre Doenças Emergentes e Cuidados com Biosseguridade. Abordando especialmente a Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína (PRSS) e Peste Suína Africana PSA), afirmou que para as duas doenças e outras tantas, os cuidados são os mesmos. “As ações de prevenção e controle envolvem atividades de biosseguridade e restrição de acessos. Já existe muita informação, todos já sabem o que fazer, é preciso apenas adotar as medidas”, salientou.

A concentração dos casos de peste suína africana está nos países asiáticos, porém também há casos na europa e na áfrica. Dentre os sintomas dos suínos contaminados estão lesões hemorrágicas generalizadas e o baço aumentado.

Texto: Assessoria de Imprensa
Fotos: Juremir Versetti

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